segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Versos vazios

Não considero poesias,
Apenas palavras vazias,
Rimas do meu coração,
Que não consegue se firmar em nada,
Incapaz de formar um desejo,
De tomar uma decisão.

*  *  *

Quero poder amar, quero poder sonhar, quero sentir a vida, que a falta disso aproxima a morte.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ora, bolas!

E lá veio a bola de novo.
-Moço, moço! Pode pegar a bola? Os cachorros enlouquecidos ladram seus pulmões afora. Nada que se mova em volta da casa escapa a reclamação dos dois.
Levanto, deixo palavras ao meio, esperando na tela do meu computador e lá vou eu lá fora, resgatar a bola mais uma vez.
Que pena eu tenho desta bola. Toda gasta, pedaço do couro pendurado, desafia todo dia um estouro nos pés dos guris que na rua a maltrata com seus chutes imprecisos.
Pego a bola e jogo sobre o muro alto, aparentemente não o bastante para conter o petardo.
-Obrigado moço! Obrigado! ...brigadu! As várias vozes agradecem o retorno da bola ao seu jogo.
Eu me lembro, era garoto, jogava bola na rua. Duas camisas, duas latas, dois tijolos, o que se pudessem botar as mãos, serviam pra marcar os gols. Times divididos, nem lembro como distinguia quem era de que lado. Sei que dava certo. A gente jogava, driblava, passava a bola para o companheiro e se a sorte sorrisse, fazia um gol. Que beleza, era partir para o abraço.
As coisas são diferentes hoje em dia, todos só querem chutar. É bicuda pra todo lado. Do lado de cá do muro só vejo a bola subir em trajetórias cada vez mais ameaçadoras ao espaço aéreo sobre minha casa. E não demora muito, lá vem ela novamente pro lado de cá.
-Drogas, esta quase me quebrou um vaso, reclamo.
São essas considerações que me aborrecem. Nada tenho quanto às crianças brincando, mas acho que desaprenderam a alegria de driblar. Apenas disputam quem vai pegar a bola e saia uma canela da frente, lá vai bicuda e bola pro espaço.
Pego a bola novamente e devolvo, agora com uma reclamação.
-Vê se param de jogar a bola para o alto! Reclamo em alta voz. -Vocês estão jogando futebol ou vôlei?
-Desculpa moço! Não vai cair mais. Desculpa moço, foi sem querer! Esta foi boa, ainda bem, se fosse de propósito como seria?
Volto para a porta de entrada, ainda rindo da frase que escutei.
Pam! Um chute forte ecoa do outro lado do muro.
Não demorou muito e sinto a pancada na cabeça. Assusto-me e olho em volta e lá está ela, rolando no chão para um canto ao lado do vaso que há pouco tentou quebrar, a bendita bola.
Será que foi sem querer? Começo a ter minhas dúvidas quando ouço no meio dos “Shiii, ferrou”! Aquela vozinha dizendo: – Desculpa moço, foi mal!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pássaro ferido

Eu sou o pássaro ferido que você pegou no chão,
Aquele que você cuidou e deu a mão,
Agora curado estou, preso nesta gaiola,
Meu canto é triste porque minha alma chora.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Só quero ouvir tua voz

Mais uma vez me ligas e não dizes nada. Tentando conter a respiração inconstante, agitada pela emoção de ouvir a minha voz. Parece loucura, insanidade. Sabes que sei que és tu calada. Sabes que me enlouqueço com essas chamadas. Que aumenta em mim a raiva de ti. Não te importa que já me percas, nada mais te interessa a não ser ouvir a minha voz, mesmo que seja para te jurar do ódio que fazes nascer em mim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Orgulho e Paixão

Teu orgulho não permite concordar comigo.
Teu orgulho não te permite me dar razão.
Ele não deixa eu te dar prazer, alegria, paixão.
Sinto a vontade em sua voz,
Ouço você calada me chamar.
Teus olhos te traem, me atraem,
Fazem-me para teus braços voltar.
Sinto teu cheiro de flores na manhã,
Molhadas do orvalho da noite que passou.
Tenho em minha boca o sabor do teu mel,
Que junto com teu cheiro foi o que me restou.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Uma todo dia

Desculpe-me se já não consigo dar uma todo dia. O melhor que eu posso fazer é um dia sim, um dia não. Não se trata de fraqueza nem de falta de determinação. Apenas estou ficando velho e coisas assim precisam de energia e concentração. A minha atração por ti no tempo em nada mudou, ela continua forte, me sinto com muita sorte, dela me dar calor. Mas o fato de hoje em dia eu parar, aquém da expectativa que você me dá, não é porque não me empolgo mais ao te ver. É que fica difícil dar uma ideia para todo dia escrever.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Universo

Estou em movimento no meio do nada,
Vejo meu universo, árido deserto,
Se expandindo a lugar nenhum.
O passado e o futuro se confundem,
O presente, pensamento ausente,
Sem razão ou sentido algum.