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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pássaro ferido

Eu sou o pássaro ferido que você pegou no chão,
Aquele que você cuidou e deu a mão,
Agora curado estou, preso nesta gaiola,
Meu canto é triste porque minha alma chora.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Orgulho e Paixão

Teu orgulho não permite concordar comigo.
Teu orgulho não te permite me dar razão.
Ele não deixa eu te dar prazer, alegria, paixão.
Sinto a vontade em sua voz,
Ouço você calada me chamar.
Teus olhos te traem, me atraem,
Fazem-me para teus braços voltar.
Sinto teu cheiro de flores na manhã,
Molhadas do orvalho da noite que passou.
Tenho em minha boca o sabor do teu mel,
Que junto com teu cheiro foi o que me restou.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pra lá de onde as nuvens vão ...

O sol da manhã entra pela porta semiaberta quebrando a penumbra da sala, o convidando a sair.
Dia morno já cedo, promessa de calor pela tarde. Dia lindo. O sol banha a paisagem generosamente. Os pássaros vão esvoaçando nos seus afazeres do dia a dia. Mais um dia normal de trabalho para eles. Muitas tarefas a cumprir, ninhos a manter, pequenas bocas querendo ser alimentadas, piando incessantemente.
O velho homem senta-se a uma cadeira, já gasta pelo tempo, perto de uma cerca junto ao portão. A parreira vingou e suas folhas se espalham pelo cercado formando uma parede verde, ele observa. “Preciso fazer um caramanchão com ela”; pensou ele; “Logo vai querer dar frutos”.
O céu azul, limpo, fora umas pequenas nuvens brancas, desgarradas, indo com o vento, que sopra suave, levando-as “pra lá de não se sabe onde”. Talvez pra perto das terras que chamaram seus filhos. Lembra-se dos dias que partiram, um a um, conforme foram crescendo e alimentando ideias de aventuras para suas vidas.
Ele mesmo, velho aventureiro do mundo, agora cansado e aposentado das andanças terra afora, compreendia a razão de terem ido embora. Está no sangue. O mesmo impulso que um dia o fez sair mundo afora, conhecendo lugares interessantes, gente diferente da gente de onde ele nasceu.
Que bom conhecer tudo aquilo, todo este povo diverso espalhado “pra lá de onde as nuvens vão”. Ele conhece tudo e muita gente. Quem olha não repara naquele homem cansado, naqueles olhos miúdos, a visão de um mundo enorme que ele correu e conquistou.

domingo, 18 de julho de 2010

Calmaria


O monótono tom do velho sino da igreja distante me despertou. Seu timbre ecoava na distancia e corria o ar do vale lembrando a seus fieis a hora de suas orações.
A manhã era fria e uma névoa pairava penetrada pela luz do dia que custava a trazer o sol. Algumas pessoas andavam pelas tortuosas ruas da cidade, seus passos indicando o caminho da igreja onde poucos fiéis já se aglomeravam esperando a silenciosa chamada para o serviço a começar.
A calma pairava no vale, nesta manhã de domingo.
No campo, rebanhos preguiçosos se estendiam na distancia, mastigando a grama molhada pelo orvalho da noite anterior.
A calmaria é apenas incomodada por um eventual veículo que passa em direção do mundo além das colinas que tanto protegem a paz deste lugar.
Fico à janela do velho casarão, agradecido pela chance de poder sentir a tranquilidade deste canto do interior de minha imaginação, que consegue me desligar dos aborrecimentos e atribulações da vida moderna, brutais com nossos sentidos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Algumas palavras

Nada acontece de véspera. Mesmo em relacionamentos insólitos, há momentos brilhantes e incomuns que alimentam a paixão. Mas como todos os insólitos, um dia se desfazem e viram memórias, contos do passado.


O interessante em nossas vidas é o acúmulo de experiências que nos faz o que somos hoje.


A distância entre duas pessoas não precisa ser mais que um milímetro para ser infinita.